Ato assinado por Lira derruba vice e secretárias da Câmara

Deputado diz que desistência de João Doria reabre discussão no partido

O deputado federal Marcelo Ramos, que perdeu posto na Mesa Diretora da Câmara | Divulgação/Câmara dos Deputados

A Câmara dos Deputados está, momentaneamente, sem vice-presidente e com duas secretarias vagas. Isso ocorre em decorrência de ato assinado pelo presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL). A publicação foi feita nesta 2ª feira (23.mai).

O ato chancelado por Lira destituiu Marcelo Ramos (PSD-AM) da primeira-vice-presidência da Câmara. A segunda secretária do órgão, Marília Arraes (Solidariedade-PE), também perdeu o posto. O mesmo ocorreu com a terceira secretária, Rose Modesto (União Brasil-MS).

A queda do trio da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados se deu por causa de trocas partidárias. Quando ocorreu a eleição para as funções, eles estavam em outras legendas. Ramos era do PL, sigla que atualmente tem o presidente Jair Bolsonaro entre os filiados. Marília fazia parte do PT e Rose era do PSDB.

Para assinar o ato que tirou os três deputados da Mesa Diretora, Lira alegou que apenas seguiu o que prevê o regimento interno. Um dos artigos afirma que “em caso de mudança de legenda partidária, o membro da Mesa perderá automaticamente o cargo que ocupa”.

Nova eleição

Com as destituições de Marcelo Ramos, Marília Arraes e Rose Modesto, os deputados federais irão votar na 4ª feira (25.mai) para decidir quem assumirá a primeira-vice-presidência, a segunda secretaria e a terceira secretaria da Câmara. A eleição deverá seguir a proporcionalidade da disputa que levou Lira à presidência da Casa. Ou seja: o PL terá o direito de ter um de seus representantes como primeiro-vice-presidente. As duas secretarias ficarão, respectivamente, com petistas e tucanos.

Reclamação de Marcelo Ramos

Marcelo Ramos externou o seu descontentamento em deixar a vice-presidência da Câmara. Sem citar o nome de Arthur Lira, ele lembrou o número de votos que recebeu na ocasião da eleição para a Mesa Diretora e indicou que perdeu o posto por causa de um único colega que, segundo ele, teria atendido a um pedido supostamente feito por Jair Bolsonaro.

“Fui eleito pelo voto de 396 deputados e deputadas”, afirmou Ramos por meio de mensagem divulgada em seu perfil no Twitter. “E destituído por um e atendendo a uma ordem do presidente da República”, acusou o parlamentar que, crítico do governo federal, trocou de partido logo após Bolsonaro se filiar ao PL.

Por Anderson Scardoelli | SBT

Deixe um comentário