Condenado por matar o pai e a madrasta Justiça autoriza transferência de Gil Rugai ao regime semiaberto

Condenado a 33 anos e nove meses de prisão pelo assassinato do pai e da madrasta, Gil Rugai teve a progressão para o regime semiaberto autorizada pela Justiça. Ele está preso na P2 de Tremembé, no interior de SP.

A decisão é da juíza Sueli Zeraik de Oliveira Armani e é do dia 19. Apesar do parecer contrário do Ministério Público, a magistrada optou pela ida do ex-seminarista ao semiaberto enumerando alguns pontos, como o resultado do exame criminológico, considerado “totalmente positivo”, e o comportamento, classificada como ótimo e sem faltas disciplinares.

A juíza também determina o comunicado à direção da penitenciária para que a transferência de regime seja feita em até 15 dias.

A Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) foi procurada pela reportagem informou que, em cumprimento à decisão da Justiça, Gil Rugai foi removido nesta terça-feira para a ala de progressão penitenciária da P2.

Condenação mantida

Em 2020 o Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, manteve a condenação definitiva de Gil Grego Rugai pelos assassinatos do pai e da madrasta, em 2004 em São Paulo, e o caso passou à condição de transitado em julgado, onde não é mais passível de recursos.

Na época, a defesa do publicitário e ex-seminarista queria anular o júri que o condenou e marcar um novo julgamento.

Um júri de 2013 o condenou a 33 anos e nove meses de prisão pelos homicídios dos publicitários Luiz Carlos Rugai e Alessandra de Fátima Troitino, pai e madrasta de Gil.

O crime

O crime foi cometido em 28 de março de 2004. O casal foi encontrado baleado e morto à época na sede da agência de publicidade que funcionava na casa onde morava em Perdizes, Zona Oeste da capital. Luiz tinha 40 anos de idade e Alessandra, 33. Rugai tinha 20 anos na época.

A Polícia Civil e o MP acusaram o ex-seminarista de matar as duas vítimas a tiros depois que seu pai descobriu que o filho desviava dinheiro da empresa. Gil Rugai, que também trabalhava no local, sempre negou o crime.

Luiz Rugai e Alessandra Troitino foram mortos em 2004 em São Paulo — Foto: Reprodução/Arquivo pessoal
Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

Luiz foi baleado com seis tiros: um deles o atingiu nas costas e outro na nuca. Alessandra foi atingida por cinco disparos.

Desde o crime, Gil Rugai já teve diversas entradas e saídas da prisão. Atualmente ele cumpre a pena que foi condenado na Penitenciária de Tremembé, interior paulista, onde está desde 2016. No local também estão outros presos de casos que ganharam repercussão nacional, como Cristian Cravinhos e Alexandre Nardoni.

A Justiça negou remição de 141 dias na pena do ex-seminarista Gil Rugai, preso em Tremembé (SP). O pedido foi indeferido na última sexta-feira (14) pela Vara de Execuções Criminais (VEC) de Taubaté. O crime foi em 2004 e o detento cumpriu, até agora, 5 anos e 8 meses da pena – que termina em 2046.

No pedido, de setembro do ano passado, a defesa do condenado sustentou que ele cumpre pena em regime fechado e tem boa conduta carcerária (sem ter cometido falta grave nos últimos 12 meses). Segundo a advogada Luciana Nogueira informou na petição, Rugai fez cinco cursos profissionalizantes, totalizando 1,7 mil horas de estudo.

Os cursos foram na modalidade a distância, sendo caligrafia; desenho arquitetônico; mestre de obras; desenho artístico; e violão e guitarra. Os cursos, conforme os certificados apresentados à Justiça, teriam sido feitos entre 2014 e 2018.

A lei de execuções penais prevê que a cada 12 horas comprovadas de frequência escolar seja abatido um dia na pena no detento. Os presos podem estudar até 4 horas por dia.

Para a juíza Sueli Zeraik, que assinou o despacho, ‘o curso que o sentenciado alega ter realizado era à distância, portanto, sem acompanhamento ou supervisão do estabelecimento penitenciário’. Por isso, para a magistrada, ‘as circunstâncias nas quais o curso foi realizado pelo sentenciado inviabilizam a verificação do atendimento ao aludido requisito’. Ela negou o pedido.

A decisão dela acompanhou parecer anterior do Ministério Público (MP-SP), que também já tinha se manifestado contrário à concessão do benefício.

A defesa de Gil Rugai foi procurada pela repoetagem, mas não quis se manifestar sobre o assunto. A reportagem aguarda retorno da Secretaria da Administração Penitenciária disse por e-mail que não comenta decisões judiciais.

Remissão por trabalho

Além da remição por estudo, os detentos também podem ter a pena abatida por trabalho.

No caso de Gil Rugai, que trabalha em apoio à faxina na Penitenciária 2, ele conseguiu remir 65 dias da pena. O benefício foi concedido em julho de 2017.

Um dos certificados de Gil Rugai — Foto: Reprodução

Crime

Gil Rugai, condenado a prisão pelo assassinato de seu pai, Luiz Carlos Rugai, e sua madrasta, Alessandra de Fátima Troitino. O crime ocorreu em 2004, dentro da residência do casal em Perdizes, na zona Oeste da capital paulista. Apesar da condenação, ele nega participação no duplo homicídio.

Desde que foi preso, em 2004, Rugai esteve quase oito anos e meio fora da prisão, por meio de habeas corpus e obtenção de liberdade provisória. A última vez que voltou à prisão, onde cumpre pena até hoje, foi em fevereiro de 2016.

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