Caraguatatuba tem duas finalistas no Prêmio Tarsila do Amaral da Facesp

Duas mulheres sonhadoras, talentosas e realizadoras, Bruna Guimarães Prior e Regina Célia Ribeiro do Nascimento, representam Caraguatatuba no Prêmio Tarsila do Amaral, na categoria Empreendedora Revelação 2021.

Esse prêmio foi instituído pelo Conselho da Mulher Empreendedora e da Cultura da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) para homenagear as mulheres empreendedoras nas áreas da Cultura e da Arte, destacando valores como inovação, gestão e capacidade de transformação social.

#PraCegoVer Foto de Bruna Guimarães Prior. Ela está com uma blusa de crochê que foram desenhos de várias cores: branca, azul, vermelha, amarela, rosa. Ele está de cabelos castanhos escuros presos com um arranjo de flor azul e laranja. Atrás há uma parede pintada de preto com o desenho de um menino em giz branco (Divulgação)

Foi em meio à pandemia da Covid-19, com espetáculos suspensos, que a atriz e contadora de histórias Bruna Guimarães criou o projeto Plantadeira de Histórias. Privada das encenações e do público, a artista começou a ficar desassossegada e para não ficar parada, começou a fazer cursos à distância, promovidos pelo Senac e Sebrae sobre Economia Criativa e Empreendedorismo e ampliou os horizontes. Acostumada a contar histórias no palco, decidiu contar histórias atrás das câmeras.

“Aproveitei o “fique em casa”, pesquisei, investiguei e busquei outras alternativas, formas e meios para poder ressignificar a minha arte. Fiz dezenas de cursos e capacitações, participei de outras dezenas de palestras e congressos, me debrucei sobre pilhas livros e textos”, contou Bruna.

A primeira história nasceu da convivência com o sobrinho Davi Lucas, 6 anos. Por conta da pandemia e isolamento ele, um dia, soltou a seguinte frase: “Tia Bruna, tô com medo de morrer”.

“Isso foi um choque pra mim. Uma criança com medo de morrer? Então eu precisava fazer alguma coisa. Criei a história do Davi Lucas, um menino danado que deixava todo mundo de cabelo em pé para poder responder suas indagações a respeito da vida e da morte. Aí falei sobre a morte de uma forma lúdica e criativa, orgânica. Sobre o ciclo natural da vida. Joguei no canal do Youtube, uma professora minha do curso de Teatro, em Pidamonhangaba, viu, gostou e encomendou que fizesse uma história sobre o filho para presenteá-lo. Hoje já tenho quase 40 histórias contadas e interpretadas”, revelou.

A última empreitada de Bruna tem a ver com o povo e a cultura caiçara. Ao pesquisar histórias reais chegou ao mestre do fandango caiçara, Washington Garcez de Jesus (Ostinho de Ubatuba).

“Senti uma vontade imensa de entender sobre a cultura do meu povo e meu território e desenvolvemos o projeto Memória Caiçara, conectando os caiçaras de Caraguá e região para uma mostra de artesanato, literatura, música, dança, artes visuais e, principalmente, um bate papo sobre o que ainda nos resta de tradição cultural e como podemos fortalecer e resgatar o que se perdeu. Foram dois lindos encontros, ambos ocorreram em setembro e outubro deste ano e a Plantadeira de Histórias conseguiu formar uma rede de apoio, unindo setor público, privado e a comunidade caiçara da região”, declarou.

gina Célia Ribeiro do Nascimento. Ela tem cabelos curtos e grisalhos usa óculos com armação quadrada na cor preta. Usa blusa azul marinho com estampas com várias borboletas coloridas. Ao fundo uma parede de argila e sete enfeites de araras azuis e vermelhas empoleiradas em aros de madeira retorcida (Divulgação)

O outro projeto que também concorre na categoria Empreendedora Revelação é a Editora Fonte de Ideias, da multiprofissional Regina Célia Ribeiro do Nascimento.

Aos 67 anos, com ampla formação em áreas distintas como Administração, Psicologia, Pós-Graduação em Administração Hoteleira, Psicopedagogia, Psicologia dos Esportes, Gestão Social Sustentável e Políticas Públicas, a “jovem senhora” como gosta de se autodefinir, disse que depois de passar por tantas experiências profissionais, encontrou sua vocação: escrever e publicar livros.

“Foi um verdadeiro garimpo até descobrir o meu talento, que consiste na soma do aprendizado adquirido. Todos se tornaram ponte até chegar aqui. Descobri, finalmente, “o que vou ser quando crescer”. Hoje, minha profissão é ser coordenadora editorial e proprietária da Editora Fonte de Ideias, de Caraguatatuba, o lugar onde posso manifestar meus conhecimentos”, contou.

A Fonte de Ideias é uma editora independente, que preza por trabalhar com valores acessíveis a escritores com qualquer renda e tem como slogan “trazendo sonhos à tona”, que traduz a missão de possibilitar aos autores a transformação de seus escritos guardados na gaveta, em publicação do livro tão sonhado.

“Elaboramos os orçamentos de acordo com o que os autores estão dispostos a pagar. Para autores de baixa renda, realizamos reuniões com as profissionais para elaboração de orçamentos diferenciados. Também auxiliamos na criação e divulgação de arrecadação colaborativa de fundos para a publicação, quando o autor assim deseja. Temos uma equipe que partilha dos mesmos ideais em relação ao potencial transformador da literatura, e ao respeito às pessoas”, ressaltou Regina Célia.

De acordo com a coordenadora editorial, o foco é a publicação de livros de autores genuinamente caiçaras para resgatar e perpetuar a cultura local, rica e diversificada. Mas também publica livros de pessoas de outras cidades, sendo o contato entre a equipe e o autor, totalmente virtual.

“Nossa empresa defende os valores de sustentabilidade e consciência ambiental, portanto, entendemos que trabalhar com o público caiçara é também contribuir para a conservação ambiental e Educação Ambiental, tendo em vista que essa população tem suas raízes e cultura intrinsecamente fincadas nos ecossistemas marinhos, na Mata Atlântica e no ambiente como um todo, sendo agentes de preservação”, destacou.

Em dois anos, a editora atingiu a marca de 11 livros lançados e para 2022, a previsão é de publicar outras 10 obras.

A votação está aberta ao público pelo Instagram até a próxima terça-feira (16). Faça parte dessa história com um clique. Para votar na Plantadeira de Histórias é só clicar no link

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