CNBB entrega carta à presidência da Alesp cobrando punição a deputado que xingou arcebispo e papa

Conferência divulgou documento no domingo. Bispo Dom Pedro Luiz Stringhini entregará pessoalmente ao deputado Carlão Pignatari na tarde desta segunda (18). Parlamentar bolsonarista Frederico D´Avila (PSL) proferiu as agressões na Tribuna da plenária no dia 14.

A Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB) entregará à presidência da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), na tarde desta segunda-feira (18), uma carta cobrando punição ao deputado Frederico D´Avila (PSL) pelas agressões ao arcebispo Dom Orlando Brandes e ao papa.

No dia 14 de outubro, o deputado fez diversas ofensas ao arcebispo, que no sermão do Dia de Nossa Senhora Aparecida, disse que “para ser pátria amada não pode ser pátria armada”. O deputado do PSL fez referência a este discurso o chamou de “vagabundo” e safado”.

No documento, a Conferência afirma que também entrará na Justiça contra o deputado.

“As ofensas e acusações, proferidas pelo parlamentar – protagonista desse lastimável espetáculo – serão objeto de sua interpelação para que sejam esclarecidas e provadas nas instâncias que salvaguardam a verdade e o bem – de modo exigente nos termos da Lei”, diz o texto.

O parlamentar ainda direcionou ofensas ao Papa Francisco, o chamando de “vagabundo”. Frederico D’Ávila ainda chamou os religiosos de “pedófilos safados” e disse que a CNBB “é um câncer”.

A carta aberta cobra punição do deputado e será entregue pessoalmente ao presidente da Alesp, Carlão Pignatari, na tarde desta segunda (18), por Dom Pedro Luiz Stringhini. Ele é bispo da Arquidiocese de Mogi das Cruzes.

“Com ódio descontrolado, o parlamentar atacou o Santo Padre o Papa Francisco, a CNBB, e particularmente o Exmo. e Revmo. Sr. Dom Orlando Brandes, arcebispo de Aparecida. Feriu e comprometeu a missão parlamentar, o que requer imediata e exemplar correção pelas instâncias competentes”, diz a carta.

Quem é Frederico D’Ávila?

Apoiador do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Frederico D’ávila foi assessor especial do ex-governador de SP Geraldo Alckmin (PSDB) de 2011 a 2013 e chegou à Alesp em 2018, eleito com o apoio de entidades do setor agrícola do estado, especialmente da Sociedade Rural Brasileira, da qual foi conselheiro entre 2017 e 2020.

Ele costuma circular na Alesp sem máscara e já foi flagrado pela reportagem do g1 sem a proteção no auge da segunda onda da Covid, no início deste ano.

Em 20 de novembro de 2019, D’Ávila apresentou um projeto na Alesp para homenagear o ex-ditador chileno Augusto Pinochet. O então presidente da Alesp, Cauê Macris (PSDB), não aceitou o tributo e assinou um ato da Mesa impedindo a homenagem do parlamentar, que seria realizada em 10 de dezembro daquele ano.

Augusto Pinochet é responsável por uma das ditaduras mais sangrentas da América Latina, que deixou mais de 40 mil mortos, segundo relatório da Comissão Valech.

Na época, o parlamentar havia dito ao jornal “Folha de S.Paulo” que “o presidente Augusto Pinochet foi, sem dúvida, o maior estadista sul-americano do século 20, haja visto o respeito que figuras como Margareth Thatcher e Ronald Reagan tinham por ele”.

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