Cinco presos morrem por Covid-19 em penitenciária de Tremembé

Detentos cumpriam pena na penitenciária Doutor José Augusto Salgado, a P2 de Tremembé e morreram entre os dias 17 de junho e 7 de julho.

Penitenciária P2 em Tremembé tem o maior número de mortes por Covid-19 — Foto: Silas Basílio/ Rede Vanguarda
Foto: Silas Basílio

Cinco presos da penitenciária Doutor José Augusto Salgado, a P2 de Tremembé, morreram por Covid-19. De acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP), a unidade é a com maior número de mortes desde o início da pandemia na região, que teve seis óbitos. Dos 477 internos, apenas 128 foram vacinados com a primeira dose.

As mortes aconteceram entre os dias 17 de junho e 7 de julho. Entre eles estão: um ex-policial condenado a mais de 30 anos de prisão pela participação na morte de jovens em uma favela na capital; um empresário condenado por lavagem de dinheiro no esquema do mensalão; um advogado condenado por roubar a indenização de uma cliente e um suspeito de roubo de carga de celulares em 2021, que cumpria prisão preventiva durante a investigação.

Todos estavam presos na penitenciária Doutor José Augusto Salgado, a P2 de Tremembé, segundo a SAP. Eles apresentaram os sintomas, ficaram em isolamento, chegaram a ser atendidos, mas não resistiram. Ao menos quatro deles morreram em hospitais públicos em Taubaté.

As mortes recentes e no curto espaço de tempo mostram uma alta desde o início da pandemia. Segundo a pasta, nas penitenciárias da região do Vale do Paraíba e Litoral Norte, sete presos morreram por Covid-19 desde março de 2020, seis apenas entre junho e julho e na P2. Na unidade, 16 servidores testaram positivo para a doença. Não houve óbitos.

A alta vem na contramão do cenário da pandemia “extramuros” na região. De acordo com os dados das prefeituras em um levantamento feito pelo G1, junho foi o mês com menor índice de mortes desde janeiro de 2021, quando a região viveu uma alta de óbitos. No mês, foram 796 mortes. De acordo com especialistas, o índice é resultado do avanço na vacinação.

Vacinação nos presídios

Os presos fazem parte do programa de imunização, apesar disso, as doses são aplicadas em ritmo menor.

De acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) foram aplicadas 637 doses para uma população carcerária de cerca de 12 mil pessoas. Um volume de 5% do total de pessoas presas. Na P2, onde foram registrados os óbitos, foram 128 doses. A unidade tem 477 presos.

Os presos que morreram na P2 têm 65, 63,62,56,53 e 47 anos. Todos tinham idades já incluídas no calendário de vacinação estadual, que também se aplica a pessoas presas. Apesar disso, apenas três haviam recebido a vacina.

O número também está em descompasso com a média regional. De acordo com os dados das prefeituras, a região aplicou a primeira dose em 44% da população, cerca de 1,1 milhão de pessoas.

O que diz a SAP

A pasta informou que tem adotado medidas de controle da doença como isolamento de presos com sintomas, suspensão de atividades coletivas, restrição de acesso às unidades e reforço na limpeza.

Por Poliana Casemiro

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